1 de outubro de 2026

Leão XIV fala do que é "legal" e quem nem sempre é "moral"

"Para que o mundo tenha vida" 




Durante o voo de Metz para Roma,no dia 28 de setembro de 2026, ao conversar com os jornalistas, Leão XIV falou sobre os conflitos e os interesses econômicos que os sustentam: “A Igreja continua a levantar a voz, anunciando o Evangelho. Poucos estão enriquecendo com a indústria bélica; com esses bilhões, seria possível resolver problemas como a fome no mundo”.

O que é legal é moral?

Xavier Normand (Le Pèlerin): Santíssimo Padre, boa noite. Antes de tudo, gostaria de agradecer pela sua Viagem Apostólica à França. Durante quatro dias, nosso país viveu ao ritmo do entusiasmo geral provocado pela sua visita. O que, na França, é um feito. Muito obrigado, Santíssimo Padre. O lema de sua Viagem Apostólica foi “Para que o mundo tenha vida”. O tema dos cuidados no fim da vida apareceu repetidamente em seus discursos. Na verdade, penso que o senhor o mencionou em mais da metade de seus discursos na França. Penso, em particular, no discurso no Palácio do Eliseu e no de ontem, em Lourdes, quando o senhor afirmou que aquilo que é legal não é necessariamente moral — uma referência clara à recente legalização da eutanásia na França. Na França, temos também o princípio da laicidade, que estabelece uma separação entre religião e política. O senhor considera que, quando algo é importante, quando os interesses em jogo são elevados, essa fronteira, essa linha, deve ser ultrapassada em nome da primazia da consciência? E, nesse caso, o senhor ultrapassou essa linha?


Papa Leão XIV

"Obrigado pela sua pergunta. Eu diria que, segundo a compreensão que a Igreja tem da separação entre Igreja e política, ou entre Igreja e Estado, eu não ultrapassei essa linha. E convido vocês a lerem ou relerem Magnifica Humanitas, onde falo sobre a Doutrina Social da Igreja na primeira seção, nos dois primeiros capítulos, e afirmo que, quando a Igreja fala sobre a defesa da vida ou sobre questões da Doutrina Social, não está entrando na política; está aplicando o Evangelho à vida das pessoas. E podem existir políticos, se assim quisermos dizer, tanto de esquerda quanto de direita, que afirmam: “A religião deve permanecer apenas na esfera privada”. Que cada um faça o que quiser em sua vida pessoal, mas, enquanto Estado, precisamos manter essa separação. Ora, justamente por isso, quando fui à França, fui principalmente para anunciar o Evangelho, para proclamar a Boa-Nova, para reafirmar aquilo que o próprio Jesus Cristo diz quando afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ou seja, para proclamar a verdade que Jesus nos oferece. A defesa da vida é algo que, como todos vocês sabem, a Igreja ensina e no qual acredita profundamente. Por isso, por um lado, evidentemente sabendo que na França uma lei foi recentemente aprovada — e que também em outros países da Europa, assim como em outras partes do mundo, há um amplo debate sobre as questões relacionadas ao fim da vida —, é preciso considerar essa realidade. Mas estar em um lugar como Lourdes, onde as pessoas estão em busca de algo muito mais profundo, significa compreender que suas vidas, mesmo em meio à doença, à deficiência ou a diferentes formas de sofrimento, têm um sentido. A Igreja, por causa do próprio Jesus, quer estar próxima dessas pessoas e afirmar os valores que a própria vida, penso eu, representa para todos nós. Portanto, eu diria que, se isso é política, então eu a fiz. Mas não foi para me envolver na política francesa. Foi para ensinar aquilo em que a Igreja realmente acredita."

Fonte: Vatican news

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